dezembro 20, 2007

Expectativa e frustração

Palavras que dimensionam boa parte dos sentimentos de final de ano. Afinal, como será 2008? Sabe aquelas listas de final de ano, onde apontamos tudo o que desejamos fazer no ano que vem? Pois é, o que mais me intriga é que as expectativas são sempre boas, mas invariavelmente, geram algum tipo de frustração.
Mas quando transformamos a expectativa em meta, com um certo planejamento e estratégias fundamentadas de ações, com a intenção deliberada de chegarmos aos objetivos traçados... Bem, dai já é outro papo. Mas as expectativas sem uma previsão, sem uma preparação, daquelas que fingimos acreditar, essas têm grande chance de tornarem-se frustrações.
O problema reside no fato de que muitas vezes reagimos super mal às frustrações. Nessa era da depressão e da solidão, temos dificuldade em entender que elas, as malditas frustrações, fazem parte da vida.
Estamos vivendo num mundo com valores de que "tudo tem que dar certo", tem que ser perfeito, afinal, o padrão de excelência para a vida pessoal e profissional tem aumentado sem que percebamos, quase como os preços dos alimentos nos supermercados.
Temos uma necessidade de sermos os melhores sempre. Afinal, o mercado de trabalho não tem espaço pra tanta gente e não se encontram bons amigos e relacionamentos tão facilmente. É preciso ser bom até na vida pessoal pra conquistar um bom partido, imaginem na vida profissional... E muitos têm esquecido de que existe a vida espiritual também.
Vivemos numa "era da contradição", porque temos mais acesso à informação e continuamos solitários, atrás da tela de um computador. Muitas vezes cheios de expectativas e frustrados, tudo ao mesmo tempo.
Nesse ínterim, de um mundo louco, onde todo mundo tenta ser um pouco mais equilibrado e feliz a cada dia que passa, sugiro um pouco de "meio-termo" na vida da gente.
Se não foi bem aquilo que tu querias, respire fundo e agradeça pelo o que deu certo. Não podemos entrar nessa "neura" de tudo lindo, bonito, perfeito, senão "o mundo cai".
Também não podemos deixar a acomodação tomar conta. O medo de criar expectativas pode pautar uma indefinição de metas. Nesse caso, o melhor passo pode ser tentar e se frustrar. Talvez gente do meio-termo, que não se vislumbra com grandes expectativas e nem se permite a grandes frustrações, pode começar o ano de 2008 no "caminho do meio". Nem tanto o céu nem tanto a terra. Um pouco mais centrados, quem sabe.

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