janeiro 28, 2008

Glory box

Essa canção me emociona sempre, interpretação da Beth Gibbons é impressionante!

Glory Box
#Portishead#

I'm so tired of playing,
Playing with this bow and arrow,
Gonna give my heart away,
Leave it to the other girls to play.
For I've been a tempteress too long,
CHORUS:
Just...
Give me a reason to love you,
Give me a reason to be a woman,
I just want to be a woman
From this time unchained,
We're all looking at a different picture,
Through this new frame of mind,
A thousand flowers could bloom,
Move over and give us some room
CHORUS
So don't you stop being a man,
Just take a little look from outside when you can,
Sow a little tenderness,
No matter if you cry
CHORUS
{Its all I want to be, a woman},
So I just want to be a woman,
For this is the beginning of forever and ever,
Its time to move over now,
(So I want to be)
{Back to start again and fades}


Portishead - Glory Box (tradução)
Caixa de glória
Eu estou tão cansada de brincar
brincar com este arco e flecha
vou dar meu coração por ai
deixar isto para outras garotas brincarem
por eu ter sido tentada por tanto tempo.
apenas
me dê uma razão para te amar
me dê uma razão para ser uma mulher
eu quero apenas ser uma mulher
a partir de agora desacorrentada
todos nós estamos olhando uma imagem diferente
através desta nova moldura da mente
milhares de flores poderiam florescer,
se mudar, e nos dar algum espaço
então não pare de ser um homem,
apenas dê uma olhadinha de fora quando você puder,
semeie um pouco de ternura
não há nenhum problema se você chorar.
isto e tudo que eu quero ser, uma mulher
entao eu apenas quero ser uma mulher,
por isso, é o começo de todo o sempre.
é hora de superar agora.
(então eu quero ser)

janeiro 24, 2008

Tumulto interior

"O ritmo cotidiano mudará para sempre, e é justamente por isso que as coisas tendem a ficar bagunçadas e tumultuadas atualmente. Tente se despreocupar a esse respeito, permitindo uma dose maior de perturbação do que a habitual", meu signo hoje, dizia isso.

Quero escolher o destino do meu barco à vela.

Assustada com as propostas da vida, mas com muitas expectativas.

So, let´s go!!!

janeiro 15, 2008

O sistema e a flor

O Sistema e a flor

É preciso ser a cada dia mais compenetrado em seus afazeres, menos distraído.
É preciso olhar para os transeuntes nas ruas e continuar caminhando, sentar no ônibus do lado de pessoas aparentemente interessantes e não puxar assunto, passar pela avenida e não parar e conversar com o mendigo na calçada.
Não podemos deixar a vida passar por nós sem que nos demos conta de seus movimentos.
Mas é preciso viver cada dia como se fosse o último de nossas vidas. Somos tão atarefados que as datas passam voando, nos deixamos entorpecer pelo cotidiano, embrutecer pelas atividades rotineiras.
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Todo dia acordo 6h da manhã, tomo um copo d´água, vou ao banheiro, lavo o rosto, entro no banho e deixo a água bater nas costas, acordo lentamente, me seco rapidamente, passo protetor solar no corpo, visto meu uniforme, vou até a cozinha e coloco a cafeteira italiana passar um café forte e intenso, penteio os cabelos, ligo o rádio pra escutar a Itapema FM, como um sanduíche raramente, quase sempre levo um lanche, visto as meias, o sapato de salto, não esquecendo a bolsa, a chave, o óculos, o dinheiro, a pasta, etc.
Água, "não esquece de pegar a garrafinha".
Pega a leitura passatempo, embora já saiba que não vai dar tempo.
Desço as escadas do meu edifício, rapidinho, toc toc toc, estou na parada de ônibus às 7h10min, o bus passa as 7h20min. Pego o bus, chego no trabalho por volta de 7h40min. Caminho lentamente.
Passo todos os dias por uma praça e observo as pessoas sentadas tranquilas, aquelas que gostariam de estar no meu lugar, com um emprego, outras esperando passar o horário para algum compromisso, sempre faço uma oração nesse percurso.
É estranho, mas parece o momento de mais tranquilidade que eu tenho. Nesse momento, peço pra Deus me iluminar durante o meu dia... Que eu consiga desenvolver minhas atividades com competência e rezo pelos amores da minha vida, minha família e meus amigos.
Mas então, depois da oração, chego no trabalho, vou ao banheiro me maquiar, rapidinho. Maquiar a "máscara profissional", a que deve ser usada durante todo o dia. Ligo o computador e começo a trabalhar, até às 11h30min. Almoço tranquilo... comida natural...bem bom...tomo café, leio o jornal, retorno ao trabalho até às 18h. Demandas passíveis de resolução durante todo o percurso. Sou compenetrada, procuro não me distrair até esse momento, em que pego o ônibus e retorno para a cidade onde moro. Chego em casa por volta das 19h/19h30min. Ai a compenetração vai pro ar, penso em tanta coisa, desde o momento em que tiro os meus sapatos e me dou conta de que estou sozinha.
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Se embrutecer é fácil, muito rápido. Acredito que o sistema se perpetua por esse motivo. Por nos deixarmos absorver por rotinas, por necessidades de horários e prazos, nos tornamos reféns de nós mesmos, e precisamos nos alimentar, nos vestir, e nos divertir... e conseguir, ainda, de alguma forma desopilar do sistema. Mas não desopilamos totalmente, somos reféns do sustento.
O que penso, nos momentos de mais ânimo, sentada no meu sofá, sozinha, é que é preciso muita criatividade para viver bem, não deixar-se abater pelos movimentos existenciais, por acreditar que é possível um mundo diferente, que é possível olhar para o entorno e se sensibilizar com o mendigo, puxar assunto, dar um olhar de solidariedade, conversar com o operário no ônibus, ter uma boa relação com a mulher que serve cafezinhos e tentar ser humana, mas, mesmo assim, ter consciência de que não passo de uma burguesa, com uma bela carinha, e as minhas preocupações não são nada diante da dura realidade de luta diária que vivem essas pessoas.
...Talvez elas sejam mais felizes do que eu...
Se não tenho como deixar de fazer parte do sistema, afinal, não temos escolha, então tento fazer parte dele da melhor forma que eu posso (jura que a minha consciência serve de alguma coisa, a não ser para me deixar um pouco mais tranquila comigo mesma).
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No meio disso tudo, tem uns momentos em que nos damos conta do que queremos da vida, e nos dá um insight, por vezes irritante e avassalador, que nos deixa totalmente perplexos, são os momentos epifânicos.
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..........É naquele instante em que olhei para a flor no vaso, ao lado do sofá, em cima da mesinha de centro, que tive a certeza de que logo terei uma vida mais tranquila, onde possa ser artista em meio ao esforço de sobrevivência, foi naquela hora em que observei as pétalas da flor que colhi no jardim alheio, que tive certeza de que ainda estou criando a minha flor, colocando pétala por pétala, uma descontrução ao reverso, ao invés de fazer um "bem-me-quer, mal-me-quer", tenho feito um "bem-me-quero, mal-me-quero", e quando mudar para um "bem-te-quero e mal-te-quero, será que irá mudar muita coisa de fato, talvez não, mas se "bem-me-quiser", por completo, talvez possa realmente fazer alguém feliz.......
Afinal, será que pode ser feliz quem conhece a si mesmo e às suas imperfeições?
E desliguei a luz e fui dormir...
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Bem, a flor continua lá, viva, apontando a possibilidade de uma vida com qualidade e criatividade...

Eu estou aqui, sentada, esperando terminar o expediente, e pegar o ônibus para voltar pra casa...

Quem sabe eu não olhe pra ela quando eu voltar pra casa...
Quem sabe ela não olhe pra mim e diga... "que menina que pensa..."
Ouvindo as vozes da consciência...

;-)...
Lari Lari

.............e a Cecília sempre me deixa assim, perplexa...................

É preciso não esquecer nada
É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos severos conosco,
pois o resto não nos pertence.
Cecília Meireles (1962)

janeiro 11, 2008

Songs of heart

Algumas músicas que nos remetem a momentos vividos, nem sempre bons de lembrar...
Mas é tão bom sonhar... e sonhar embalada em canções.
Lembro de aromas, de alguns toques suaves, de respostas bruscas, de momentos simples, complicados, alguns incompreensíveis e outros repletos de sentido.

O que sinto...

...sinto a intensidade da vida e o medo das escolhas...

Cartola - O Mundo é Um Moinho Cartola

Ainda é cedo amor
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés


...sou sensível e me surpreendo comigo mesma...

"Avesso "- Jorge Vercilo

(...) Nós já temos encontro marcado
Eu só não sei quando
Se daqui a dois dias
Se daqui a mil anos
Com dois canos pra mim apontados
Ousaria te olhar, ousaria te ver
Num insuspeitável bar, pra decência não nos ver
Perigoso é te amar, doloroso querer
Somos homens pra saber o que é melhor pra nós
O desejo a nos punir, só porque somos iguais
A Idade Média é aqui
Mesmo que me arranquem o sexo, minha honra, meu prazer
Te amar eu ousaria
E você, o que fará se esse orgulho nos perder? (...)

...ainda sinto muito...

Coldplay - The Scientist

Come up to meet you, tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are
I had to find you, tell you I need you
And tell you I set you apart
Tell me your secrets, and ask me your questions
Oh let's go back to the start
Running in circles, coming up tails
Heads on a silence apart
Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start
I was just guessing at numbers and figures
Pulling the puzzles apart.
Questions of science, science and progress
Don't speak as loud as my heart.
So tell me you love me, come back and haunt me,
Oh, when I rush to the start
Running in circles, chasing in tails
coming back as we are.
Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy.
No one ever said it would be so hard
I'm going back to the start.
Ooooohhhhhhh [x4]

Tradução (do que não aconteceu):

Vim pra lhe encontrar,
Dizer que sinto muito,
Você não sabe o quão amável você é
Tenho que lhe achar,
Dizer que preciso de você,
Dizer que a abandonei
Conte-me seus segredos
Faça-me suas perguntas
Oh, vamos voltar pro começo
Correndo em círculos,
Surgindo as caudas,
Cabeças num separado silêncio
Ninguém disse que era fácil,
É tão vergonhoso pra nós nos separarmos
Ninguém disse que era fácil,
Ninguém jamais disse que seria tão difícil assim

Oh, me leve de volta pro começo...
Eu só estava pensando
Em números e figuras,

Rejeitando seus quebra-cabeças

Questões da ciência,
Ciência e progresso
Não falam tão alto quanto meu coração

Diga-me que me ama,
Volte e me assombre

Oh, quando eu corro pro começo
Correndo em círculos,
Perseguindo nossas caudas
Voltando a ser como éramos

Ninguém disse que era fácil,
É tão vergonhoso pra nós nos separarmos
Ninguém disse que era fácil,

Ninguém jamais disse que seria tão difícil assim

eu estou indo de volta para o começo...


...mas sinto uma esperança...

O Sol Nascerá (Cartola) ;-)

A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida.
A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida.
Finda a tempestade
O sol nascerá,
Finda esta saudade
Hei de ter outro alguém para amar.

É...viva as canções, elas dizem tudo!

janeiro 04, 2008

Amar e ficar constrangido...

"Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a primeira inocência,
E toda a inocência é não pensar... "
(O Guardador de Rebanhos - Fernando Pessoa)

Se amo e não sei porque amo... me deixo entorpecer pelo não-entendimento. Mas se não sei bem...prefiro não pensar...

.............................
e ainda buscando alguém que diga o que busco dizer...
............................

LICENCA POÉTICA

Perplexo estou no rumor da hora,
espreitando os caprichos do tempo.
Pratiquei longamente a disciplina dos austeros
e hoje me permito a digressão.
Vislumbro o tumulto suburbano:
é a expressão do meu canto humaníssimo.
Meu sonho de poesia. Se mergulho profundamente em mim,
compreendo a dimensão da vida. A arte de viver em plenitude.
Minha ânsia é ver todos os espíritos em luz,
todos os viventos com o direito à felicidade,
todos conscientes da necessidade de viver em paz
e entender o mistério e decifrar as dádivas do vento.
Pertenco a todas as criaturas, a todos os minerais e vegetais,
sou um fruto sazonado em sentimento,
sou a energia e o artefato da natureza.
Alegria de ver a vida fluindo
nos meninos que jogam futebol no quintal,
nas aves canoras, na música que vibra na casa,
no clarão solar que acende o chão.
Permito-me a glória deste momento,
ciente da verdade que ele ensina.
Ser o milagre – ânima semovente e andar em confianca.
Transformar-me sempre na experiência vindoura
e manter-me aliado de mim. Servir sem distinguir a quem,
na certeza do objetivo superior. Compreender-me e compreeende o semelhante
como a planta compreende o céu, como a nuvem compreende os rios.
Este é o meu conforto e minha causa: coexistir o santo e o poeta e tudo resultará em serenidade.
Permanecer calmo ante o enigma, saber que o destino engendra sempre o bem
e dar gracas ao Mestre por esta licenca poética,
este momento único, a exuberância nectárea desta consciência,
esta translúcida realidade, aceitacão de mim mesmo,
imersão em reveladora magnitude.
In: http://www.antoniomiranda.com.br/
.........................

janeiro 03, 2008

Porto seguro

"Se o homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável" - Sêneca.

Faz tempo que eu vôo sobre os oceanos. Algumas vezes tenho coragem e mergulho até o fundo. Encontro seres misteriosos, quase desconhecidos pela humanidade.
Tem horas que só que o que eu quero é observar tudo do alto da montanha, sentir o sol e o vento batendo no corpo. Também gosto de voar por sobre os campos, observar as flores, subir nas árvores e sentir o gosto das frutas. Já vi muitas paisagens e viajei por lugares inimagináveis.
Porém, é na água onde passo a maior parte do meu tempo. Água abundante e densa do mar que esconde em sua profundeza muitas confidências humanas.
É lá onde guardo minhas dores, meus anseios, minha angústia, minha solidão. Todos sentimentos vãos. Todos na água do mar. Diluídos, eles formam conjuntamente uma substância viscosa azul-esverdeada, com uma textura vegetal, quase travestida de alga, que tinge os corais.
É lá onde o "devir" acontece. O desejo de tornar-se outra. Mesmo que as águas continuem as mesmas, as ondas impulsionam um movimento. Impossível fugir.
Mas quando não se sabe em que porto atracar, ficamos buscando desculpas, subterfúgios para continuar nadando, à deriva ou observando a costa e as gaivotas alçando vôos espetaculares.
Assim, prefiro fica olhando as gaivotas, sentindo o sol batendo na cara, do que sair desse mar convulso de sentimentos.
Tudo porque não sei a que porto me dirijo. Juro que se soubesse já tinha atracado o meu barco.
Acho que o cansaço está batendo, melhor aceitar um barco à vela e deixar o vento me levar, pois quem sabe ele me conduza para o melhor caminho. Será que o vento será generoso comigo e me levará ao encontro do porto? Por enquanto, não tenho barco. Tenho me afogado constantemente. Quem sabe um dia ainda me torne uma grande mergulhadora.


P.S.:
Devir é um conceito filosófico que qualifica a mudança constante, a perenidade de algo ou alguém. Surgiu primeiro em Heráclito e em seus seguidores; o devir é exemplificado pelas águas de um rio, “que continua o mesmo, a despeito de suas águas continuamente mudarem.” Devir é o desejo de tornar-se.