janeiro 04, 2008

Amar e ficar constrangido...

"Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a primeira inocência,
E toda a inocência é não pensar... "
(O Guardador de Rebanhos - Fernando Pessoa)

Se amo e não sei porque amo... me deixo entorpecer pelo não-entendimento. Mas se não sei bem...prefiro não pensar...

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e ainda buscando alguém que diga o que busco dizer...
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LICENCA POÉTICA

Perplexo estou no rumor da hora,
espreitando os caprichos do tempo.
Pratiquei longamente a disciplina dos austeros
e hoje me permito a digressão.
Vislumbro o tumulto suburbano:
é a expressão do meu canto humaníssimo.
Meu sonho de poesia. Se mergulho profundamente em mim,
compreendo a dimensão da vida. A arte de viver em plenitude.
Minha ânsia é ver todos os espíritos em luz,
todos os viventos com o direito à felicidade,
todos conscientes da necessidade de viver em paz
e entender o mistério e decifrar as dádivas do vento.
Pertenco a todas as criaturas, a todos os minerais e vegetais,
sou um fruto sazonado em sentimento,
sou a energia e o artefato da natureza.
Alegria de ver a vida fluindo
nos meninos que jogam futebol no quintal,
nas aves canoras, na música que vibra na casa,
no clarão solar que acende o chão.
Permito-me a glória deste momento,
ciente da verdade que ele ensina.
Ser o milagre – ânima semovente e andar em confianca.
Transformar-me sempre na experiência vindoura
e manter-me aliado de mim. Servir sem distinguir a quem,
na certeza do objetivo superior. Compreender-me e compreeende o semelhante
como a planta compreende o céu, como a nuvem compreende os rios.
Este é o meu conforto e minha causa: coexistir o santo e o poeta e tudo resultará em serenidade.
Permanecer calmo ante o enigma, saber que o destino engendra sempre o bem
e dar gracas ao Mestre por esta licenca poética,
este momento único, a exuberância nectárea desta consciência,
esta translúcida realidade, aceitacão de mim mesmo,
imersão em reveladora magnitude.
In: http://www.antoniomiranda.com.br/
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