junho 26, 2008

Das pequenas e das grandes coisas


As calçadas de pedrinhas, marteladas uma por uma, engolem os saltos das portuguesas. Resvalam em dia de mau tempo. Velhotes sentados nas mesas dos cafés passam as tardes conversando com os seus pares.
Os elétricos cruzam pelo centro histórico.
As gaivotas e o céu azul.
O calor seco que não nos faz suar.
O olhar desconfiado da senhora que nos dá passagem nos corredores dos supermercados e nos ônibus.
Os carros todos estacionados nas ruas, sem perigo.
As senhoras a passearem de roupão com os seus cães à noite sem medo dos ladrões.
O horizonte no mar, indecifrável.
Os africanos a venderem colares e tecidos.
Turistas de todos os lugares do mundo andando de havaianas pelas ruas.
Ingleses vivendo em Cascais.
Brasileiros e seus guetos.
Correio da Manhã e O Público.
Notícias de que os portugueses são os europeus mais pessimistas.
Gastam 5,2 % do orçamento familiar com combustíveis.
Jovens ateus.
Velhos católicos.
Gente como nós, com a mesma língua, com o mesmos entraves da corrupção e da Justiça lenta.
Há corrupção nos clubes de futebol.
Há fanáticos por futebol.
Há regras para muitas coisas. Há gente que quebra as regras.
Há vida. Há pequenas e grandes coisas.

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