junho 20, 2008

Vivendo e aprendendo


1. Há cada dia que passa aprendo um pouquinho mais deste mundo ocidental europeu. Há segurança por aqui, deixamos as roupas estendidas no varal no andar térreo, as janelas abertas, o carro estacionado na rua, não sentimos medo. Caminhamos pelas ruas sem segurarmos as bolsas junto ao corpo. Existem apenas uns "gatos" a observarem os turistas, certamente, para furtar os desavisados.
Nas estradas as pessoas transitam seguras. Quando há uma faixa de segurança (passadeira os caras chama por aqui) os motoristas param para as pessoas passarem. As pessoas parecem ser mais civilizadas (vamos ver até quando fico a pensar assim). Entra-se em um elevador e se diz "bom dia" e "boa tarde", quando cruzamos com as pessoas nos prédios também. Tratam-se jovens e velhos pelos pronomes de tratamento "senhor" e "senhora" e utiliza-se "vosso" quando não conhecemos bem quem estamos a tratar. Não digo que estas coisas que eu descrevo sirvam pra toda gente e nem quero generalizar os hábitos e costumes dos portugueses a partir de minhas considerações. Parto do princípio de que minhas descrições são impregnadas do meu ponto de vista e possuem o olhar do turista, do estrangeiro. Descrevo sem pretensão alguma, apenas quero entender o que nos difere destas pessoas.
Eles parecem ser mais reservados do que nós, realmente, e dão um valor incrível à língua portuguesa, à história, aos escritores, aos seus costumes e tradições. Acho isso verdadeiramente interessante.



2- Essa escultura da foto chama-se "homem-sol" e fica em frente ao Shopping Vasco da Gama. Eu não gosto de shoppings, mas este destaca-se entre os que já conheci, pois possui um teto solar com camada dupla de vidro por onde escorre água, criando uma atmosfera refrescante em seu interior. Esse shopping situa-se próximo à Estação do Oriente e ao Parque das Nações. Dizem que, por vezes, algumas gaivotas pousam no teto, deixando ainda mais marítimo o ambiente.
Falando em shopping, o mercado de consumo de Portugal, que é visto um país mais atrasado se comparado aos outros países da União Européia, é riquíssimo em opções. Lisboa é cosmopolita em todos os sentidos. Muitas lojas e shoppings, muitos serviços, opções a perder de vista. Se queremos comer em um bom restaurante, ver um filme, assistir a um concerto ou passear ao ar livre, podemos escolher.... Até ficamos perdidos, sem sabermos o que fazer. Há muitos concertos e exposições gratuitos. É fixe (legal)!

3- Ontem finalmente comi pastéis de Belém. São deliciosos. Comi os pastéis originais feitos na Pastelaria no Bairro Belém, fundada em 1837. Na região por onde eu caminhava ao final de tarde fica a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerônimos e o Centro Cultural de Belém (http://www.ccb.pt), o qual possui uma atmosfera incrível. Neste lugar de arquitetura minimalista que chama a atenção, fui assistir a um show de Jazz gratuito. Um alemão parecia ter um orgasmo a tocar o seu saxofone. Muito louco. O baterista é que era mais interessante (eles utilizam o adjetivo engraçado ao se referirem ao que é interessante, acreditem se quiserem).
No terraço deste Centro há um Jardim das Oliveiras com espelhos d´água, com uma relva (grama) verdinha, muito bonita, lugar propício para sentar e ler um bom livro.
Hoje à noite vou ao Bairro Chiado novamente. Ansiosa pelo o que me aguarda a noite...



A propósito
O português fala: "Quem é esse cromo?" Isso significa "quem é esta figura"?
Uma vitrine é uma "montra".
Uma xícara é uma chávena. Xícara é apenas aquela pequena de expresso. Aliás, um café com leite (metade de uma xícara) é pedido aqui: "uma meia de leite".
Não é "vou tomar uma ducha", é "vou tomar um duche", é masculino.
"Charcutaria" é aonde se vende os enchidos (embutidos), os queijos, as azeitonas, patês, salmão, essas coisas chiques de gourmet, isso nos supermercados.
O açougue é o "talho".
Puxar o "autoclismo" é puxar a "descarga"..ô meu parece que estamos falando de uma desgraça, um autoclismo..huahauahuahua.
"Apertar" um botão é "carregar um botão".
"Deitar" o lixo é "jogar o lixo fora".
"Chumbar um projeto" equivale a "não aprovar".
Quando eles atendem ao telefone dizem "To sim", equivale a "Alô", hauhauahauhauahua.


Saiba mais sobre a origem dos pastéis de Belém...
http://www.pasteisdebelem.pt

No inicio do Século XIX, em Belém, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, laborava uma refinação de cana-de-açucar associada a um pequeno local de comércio variado.
Como consequência da revolução Liberal ocorrida em 1820, são em 1834 encerrados todos os conventos de Portugal, expulsando o clero e os trabalhadores.

Numa tentativa de sobrevivência, alguém do Mosteiro põe à venda nessa loja uns doces pastéis, rapidamente designados por "Pastéis de Belém".

Na época, a zona de Belém era distante da cidade de Lisboa e o percurso era assegurado por barcos de vapor. No entanto, a imponência do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém, atraíam os visitantes que depressa se habituaram a saborear os deliciosos pastéis originários do Mosteiro.

Em 1837, inicia-se o fabrico dos "Pastéis de Belém", em instalações anexas à refinação, segundo a antiga "receita secreta", oriunda do convento. Transmitida, e exclusivamente conhecida pelos mestres pasteleiros que fabricam artesanalmente na "Oficina do Segredo", este receita mantém-se igual até aos dias de hoje.

De facto, a única verdadeira fábrica dos "Pastéis de Belém" consegue, através de uma criteriosa escolha de ingredientes, proporcionar hoje, o paladar da antiga doçaria portuguesa.

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