julho 18, 2008

Mafra e Madeleine: uma combinação perfeita



Desde o início da quinta-feira (17) eu estava à espera pelo momento do concerto. Não era uma mera quinta-feira, disso eu tinha certeza.
Chegamos em Mafra, 50 km de Lisboa, por volta das 20h30min e aproveitamos para observar o exterior do Palácio Nacional de Mafra.
O palácio e mosteiro monumental de estilo barroco provocam-me um raro momento de deslumbramento. O local é conhecido por ser o cenário onde se desenrola o enredo do livro Memorial do Convento, de José Saramago. O palácio foi construído no reinado de D. João V em promessa à rainha D. Maria Ana da Áustria, para que ela lhe desse um descendente. Alguns acreditam que o rei fizera a promessa para se livrar de uma doença da qual padecia. O certo é que o ouro do Brasil foi o que sustentou esta obra audaciosa. Não entrei no convento, na próxima visita, espero poder ver a biblioteca que guarda 40 mil volumes preciosos, dentre eles a segunda edição de Os Lusíadas.



MADELEINE, SUAVE MADELEINE






Depois de tomar uma meia de leite (uma xícara de café com leite) e um pastel de nozes em uma Pastelaria local, entramos no Jardim do Cerco, aos fundos do mosteiro, por volta das 21h10min, com a intenção de assegurarmos um bom lugar para assistirmos ao concerto da cantora Madeleine Peyroaux.
Ouvia um som de jazz ao fundo antes mesmo de adentrar o jardim.
Clima frio, um tanto nublado. Eu gosto disto.
A atmosfera do jardim fazia-me recordar algum conto ou romance, não sei bem ao certo.
Aliás esta sensação me persegue em quase todos os lugares, talvez por ter estudado a literatura portuguesa, may be.
Na entrada, direito a jam session com músicos desconhecidos. Os gajos (caras) estavam a fazer uma promoção para a Meo, uma marca de televisão a cabo que patrocinara o concerto. Umas gajas faziam uma performance louca na relva (grama) do jardim. Moças distribuíam chocolates quadradinhos parecidos com os de Gramado (RS).
Ao ver o palco e as cadeiras, logo pensei: que lugar louco para ouvir um concerto! Ao ar livre, aos fundos do convento de Mafra, plátanos imensos davam um ar outonal e o friozinho delicioso. Caminhamos pelo jardim e ao fundo e encontramos uma fonte iluminada e uma engrenagem de um antigo moinho... a iluminação do ambiente era impecável.
Vimos o concerto em pé, porque o ingresso era mais acessível, mas ficamos em uma localização tão privilegiada quanto a ala Vip... bem de pertinho.
A gaja tem um timbre de voz que nos remete, sem dúvida, a Billie Holliday. É suave, canta sem fazer força, oscila entre o blues e o jazz. Nos presenteia com algumas canções em francês. Sem dúvida, tem senso de humor, tentou falar várias palavras em português e disse ao início de duas canções que elas falavam sobre Mafra.
Enquanto ela cantava, as luzes incidiam nas folhas dos plátanos no alto do palco, ao fundo via-se o convento. Um morcego fazia piruetas displicentemente por sobre as cabeças da platéia hipnotizada.
Sinistro, misterioso e belo.
Devem haver mais adjetivos, mas os dispenso, pois a voz e as imagens ainda ressoam em minha memória.

1 comentário:

Luciana F. disse...

putz, ela esteve em POA tempos atrás e eu, não lembro o porquê, não pude ir (ou não organizei meu tempo, provavelmente)...Agora, lendo aqui essas descrições maravilhosas, quero morrerrrrrrrrr...rsrssr...BJos!