agosto 18, 2008

Há dias


Há dias em que perco as palavras
Há dias que os versos somem do papel
Há dias que eles perambulam e pousam num lugar qualquer
Há dias que prevejo coisas
Há dias em que não vejo um palmo a minha frente
Há dias serenos
Há dias intensos
Há dias de lucidez
Há dias de estupidez
Há dias que não eu tinha notícias de você
Há dias em que gosto de escutar rockn´roll
Há dias que escuto Kleiton e Kledir
Há dias em que me sinto brega
Há dias em que sinto prazer de ser assim
Há dias que olho pela janela
Há dias em que me perco em raciocínios idiotas
Há dias em que a realidade me esbofeteia
Há dias de sol
Há dias de chuva
Há dias em que choro lavando louça
Há dias em que o riso vem contido
Há dias que eu pinto as unhas
Há dias em que faço abdominais
Há dias que fotografo
Há dias que guardo na memória
Há dias que como peixe
Há dias que prefiro carne
Há dias que não tenho fome nenhuma
Há dias em que um café é a minha salvação
Há dias que eu não uso maquiagem
Há dias em que ela é indispensável
Há dias que eu tiro os anéis ao chegar em casa
Há dias em que vejo fantasmas pela casa
Há dias que durmo sentada olhando televisão
Há dias em que durmo nos teus braços
Há dias que eu trabalho
Há dias que eu procuro trabalho
Há dias que eu devoro um livro inteiro
Há dias em que leio os jornais
Há dias de mistério
Há dias normais
Há dias em que o comboio me espera
Há dias em que prefiro caminhar
Há dias que ouço os pássaros de manhãzinha
Há dias em que acordo mal humorada
Há dias em que seus olhos me dizem coisas
Há dias em que não decifro tuas palavras
Há dias que eu sinto sensações estranhas
Há dias que eu vejo coisas onde não há
Há dias que eu ouço as notícias
Há dias em que me assusto com a crise
Há dias que não percebo nada
Há dias que viajo para o Tibet
Há dias que medito em uma montanha em Sintra
Há dias que velejo no Oceano Atlântico
Há dias que admiro o Rio Guaíba
Há dias que vejo o lilás do pôr-do-sol
Há dias em que tomo chimarrão
Há dias uma velha caminha no Parque da Redenção
Há dias ouço o garçom reclamar do desempenho do Inter
Há dias que eu odeio os comentários do Lasier Martins
Há dias que o Santana fala bobagens
Há dias que eu sinto um vento norte bater no rosto
Há dias em que sinto frio no pescoço
Há dias de cobertor de lã
Há dias abafados propícios para banhos de mangueira no quintal
Há dias que as plantas sentem sede
Há dias que eu quero plantar
Há dias de sim
Há dias de não
Há dias que escrevo
Há dias que suspiro
Há dias perfeitos
Há dias que não têm fim

Há dias assim



(Este texto é um exercício de escrita criativa)


(Tirei esta foto ontem na praia Azenhas do Mar, chama-se "cerca mágica", rsrsrsrs)

1 comentário:

Aline disse...

Há dias em que ainda tenho a impressão que minha irmã menor é criança, mas
Há dias em que vejo na sua escrita como ela é enorme
Há muitos dias que sinto mesmo como eu a amo