outubro 24, 2008

Jazz no jardim

Julho de 2008
No Centro Cultural de Belém, vários DJ´s tocam para o público ao ar livre, criando ambientes de lounge pelos jardins. E a gente curte, sentados na "relva"...

video

outubro 22, 2008

21 de outubro

Vento desconcertante
Os cabelos insistem em permanecer calados.

Entro em uma das pastelarias mais antigas de Lisboa
Repito mentalmente uma música de Rodrigo Leão
Levo a tira colo o livro "Os cus de judas", de António Lobo Antunes, recém comprado por 5 euros
Na mesa ao lado, uns franceses devoram bolos
O gajo do café, simpático por sinal, traz à mesa a minha torrada e a meia de leite
O francês olha-me como se fosse um pássaro raro da floresta amazônica
Eu sorrio por dentro, mas por fora conservo a cara blasé habitual

Depois de alguns minutos a olhar pela janela,
travo uma conversa silenciosa com os meus cabelos.
Enrolo-os nos dedos e sinto que estão ficando mais sedosos por causa da umidade.

Sinto frio, percebo que escurece e começa a chover lá fora.
É hora de pegar o comboio.
O vento quase arrasta-me pela Praça do Rossio.
Fecho o casaco e caminho encolhida, escapando dos pingos de chuva ao refugiar-me nas montras.
Corro, atarantada, tenho um pouco de medo de caminhar no centro histórico, não imagino o que me espera à noite.
Um casal aproxima-se sorrindo, protegem-se da chuva com o auxílio de um lenço vermelho indiano. Cúmplices, olham-se com ternura, brincando na chuva.

outubro 07, 2008

Roleta russa ou americana?


Chegou o outono. As folhas caem nas calçadas lisboetas e finalmente chove. O outono traz consigo uma crise coletiva “tipicamente européia”, ampliada pela crise econômica mundial. Na segunda-feira da semana passada, a Bolsa de Lisboa registrou a maior queda diária dos últimos 15 anos. A Europa sente os reflexos do "cassino financeiro" provocado pelos EUA.
Cavaco Silva, presidente de Portugal, sublinhou que tem confiança nos portugueses, deixando um apelo para que mobilizem-se e não desanimem frente à crise. Em discurso proferido no dia 5 de outubro, data em que comemora-se a Instauração da República em Portugal, o presidente apelou: "Somos capazes de vencer quando os desafios são maiores. Não se deixem vencer pelo pessimismo ou pelo desânimo". Já o primeiro-ministro, José Sócrates, ao comentar o discurso do presidente, disse: "as dificuldades do presente resolvem-se com ação, com vontade e com ambição e não com um baixar de braços."
A situação parece um “bocadinho” preocupante. Ouvi a notícia de que 20 a 30 Pequenas e Médias Empresas (PME), em sua maioria lojas, fecham as suas portas diariamente e cerca de um terço das PME não pagaram o subsídio de férias a pelo menos 30 mil trabalhadores. E eles temem não conseguir pagar o de Natal.
O Governo defende a idéia de que a situação está sob controle. Esta semana este anunciou a garantia de 20 bilhões de euros (equivalente a aproximadamente 60 bilhões de reais) às operações de financiamento dos bancos que estão em Portugal. Segundo Sócrates, a garantia é absolutamente indipensável para garantir a liquidez e estimular a atividade econômica. Os portugueses relatam que sentem a crise desde 2000, por isso, estão habituados e encaram-na apenas como uma continuidade, agora ampliada internacionalmente.
Os líderes dos países da Zona Euro reuniram-se a fim de discutir uma estratégia comum para lidar com a atual crise dos sistemas financeiros. Agora, estamos a aguardar os movimentos e sua repercussão na vida dos cidadãos europeus.
Não esperava observar os reflexos da crise econômica mundial no sul da Europa. Mas confesso que tem sido interessante. Os liberais que vociferavam que o Estado não deveria em hipótese alguma intervir no mercado financeiro estão a engolir as suas próprias palavras. Pois são as nações que estão a limpar o sangue provocado pela roleta russa dos ambiciosos neoliberais. Os lucros foram privados e os prejuízos estão sendo nacionalizados. Os socialistas e comunistas é que estão contentes com esses caos, pois acreditam que possa se configurar um novo panorama político-econômico mundial. Quem sabe o regresso do domínio político sobre a economia? Resta-nos refletir: quando passar o período crítico alguém apontará os responsáveis por puxar o gatilho ou tudo ficará em “águas de bacalhau” (ou seja, acabará em pizzas)?

Cabo Espichel