outubro 22, 2008

21 de outubro

Vento desconcertante
Os cabelos insistem em permanecer calados.

Entro em uma das pastelarias mais antigas de Lisboa
Repito mentalmente uma música de Rodrigo Leão
Levo a tira colo o livro "Os cus de judas", de António Lobo Antunes, recém comprado por 5 euros
Na mesa ao lado, uns franceses devoram bolos
O gajo do café, simpático por sinal, traz à mesa a minha torrada e a meia de leite
O francês olha-me como se fosse um pássaro raro da floresta amazônica
Eu sorrio por dentro, mas por fora conservo a cara blasé habitual

Depois de alguns minutos a olhar pela janela,
travo uma conversa silenciosa com os meus cabelos.
Enrolo-os nos dedos e sinto que estão ficando mais sedosos por causa da umidade.

Sinto frio, percebo que escurece e começa a chover lá fora.
É hora de pegar o comboio.
O vento quase arrasta-me pela Praça do Rossio.
Fecho o casaco e caminho encolhida, escapando dos pingos de chuva ao refugiar-me nas montras.
Corro, atarantada, tenho um pouco de medo de caminhar no centro histórico, não imagino o que me espera à noite.
Um casal aproxima-se sorrindo, protegem-se da chuva com o auxílio de um lenço vermelho indiano. Cúmplices, olham-se com ternura, brincando na chuva.

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