janeiro 26, 2009

A visita presidencial


Uma casa é apenas uma casa, mas pode ser o que você bem entender. Quando eu estou naquela casa, ao menos, sinto-me protegido. Na realidade não era propriamente a minha casa, era dos meus pais e, portanto, ainda parecia seguro, uma espécie de Forte. Aliás, até um dia eu dar-me conta que precisava crescer e assumir eu mesmo o posto de “forte”. Mas como estava dizendo, aquele era o meu lugar e ninguém podia me foder ali.
O sobrado, de uma típica família classe média pobre, ficava no Bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo. A minha família morava nos fundos da casa da minha avó. Para chegar até o meu Forte tínhamos que descer por algumas escadarias improvisadas, passando por alguns quintais, onde jaziam casinhas pequenas onde moravam famílias pobres. Era uma espécie de cortiço digno e não um digno cortiço.
Em uma noite dessas, eu andava de um lado para o outro naquela casa, apenas esperava os pensamentos saltarem pela janela e o sono chegar. De repente, o Barack Obama, estava ali, plantado naturalmente ao lado do fogão. Deve ter entrado pela porta da cozinha, aliás, como tudo mundo faz.
Como se não tivesse mais ninguém a observá-lo, ele entra no banheiro. Com certeza, não era a primeira vez que ele precisara de um banheiro. Mas, por incrível que pareça, eu não achava estranha aquela visita presidencial. Somente pensava: por que será que ele demora tanto?
O banheiro tinha um vitrô e, do lado de fora do pátio, eu podia seguir seus movimentos. Mas não tinha a menor idéia do que ele realmente estava a fazer. Logo pensei: vai ver que ele está apenas passando um telegrama. Ouvi uns ruídos esquisitos. Humm, parecem aqueles barulhos de rádios amadores, conversa ao telefone? Será que ele estava usando o meu banheiro para alguma comunicação secreta? Bem, mas ele não percebe que posso ouvir os ruídos daqui?
De repente, o banheiro deixa de existir. As paredes transformam-se em muros e vejo claramente um cubículo quadrado. E lá ainda permanece Mister Barack Obama sentado num banco. Ele olha para mim, despreocupado. Um sorriso largo invade o seu rosto. Apenas vê-se dentes brancos sobresaindo-se, sem medo nenhum. Ele tem um violão na mão? O quê? Sim, ele está tocando uma música country, bem brega. Ele está sorrindo para mim?
Mas afinal ele está passando códigos secretos ou está apenas tocando uma música country no meu banheiro? Hãn? Fala sério, isso é apenas um sonho!
Acordei com a nítida sensação de que o presidente Barack Obama não era um herói. Confesso que não tinha sido nada Pop a sua passagem pelo meu banheiro. A crise bem que podia ser um sonho, pensei. "Levanta esse traseiro gordo da cama e vai trabalhar!"
* Conto baseado em sonho alheio

1 comentário:

Márcio Almeida Júnior disse...

Larissa,
Gostei do seu blog, ao qual cheguei por meio do blog da Dra. Luciana. Estou ensaiando passar uns dias em Portugal. Você está por aí? Gostou? Boa sorte no blog. Virei lê-lo outras vezes.