fevereiro 27, 2009

A vida vegetativa do pensamento


O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.



A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por o suposto em alguém,
Essas coisas todas -
Essas e o que falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.



Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...



E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...



.Álvaro de Campos.



(Ilustrando o post: eu e o lago sinistro, na Quinta da Regaleira, Sintra)

Excerto Álvaro de Campos


Lisboa com suas casas
De várias cores,

Lisboa com suas casas
De várias cores,

Lisboa com suas casas
De várias cores...








À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar... (...)

;

Álvaro de Campos

;






(Ilustrando o post, fotos de minha autoria, julho, 2008)

fevereiro 26, 2009

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa.
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...(...)

Excerto do poema "Quase" de Mário de Sá Carneiro


*Meus antigos negativos revelam caminhos por onde passei...

fevereiro 24, 2009

O carnaval já passou


“Tristeza não tem fim, felicidade sim”. No imaginário brasileiro está presente este verso de Vinicius e Jobim. Felicidade é “como a gota de orvalho numa pétala de flor/Brilha tranquila/Depois de leve oscila/E cai como uma lágrima de amor”. É que nem o “melhoral infantil” com o seu gostinho docinho ou o memorável biotônico Fontoura. É como comer leite em pó ou Nescau às colheradas. É assim: mais uma colher de sopa e mais outra… irresistível! É preciso saborear cada segundo, lambendo a colher até restar apenas o reflexo de nosso rosto.
Pois é, felicidade tem fim e o carnaval já passou. Hora de voltar para a vida real e deixar as fantasias guardadas no armário (may be). Mas bom mesmo é sentir essa felicidade fugidia onde menos esperamos. Longe do carnaval, deixei a linda Lisboa tomar conta de mim.
Com o sol novamente a colorir a cidade, alguns pinguinhos de chuva tornaram-se, de repente, grandes gotas de felicidade. Ando pelas ruas da Baixa lisboeta e ouço o som do Eléctrico a passar. Não tarda a vontade de entrar nos Armázens do Chiado e tomar um chocolate quente no Café Roma. Da janela, vê-se o Castelo de São Jorge, a história distante no tempo e ainda presente na paisagem. Junto ao rio Tejo a freguesia de Belém, um dos lugares de que mais gosto. Caminhar ou andar de bicicleta até cansar, depois comer os pastéis de Belém para adoçar a vida. O Padrão dos Descobrimentos lembra-me a história das caravelas com destino ao Brasil.
À tardinha, as diversas castas de uvas no Solar do Vinho do Porto para divertir os sentidos. Sob à luz amarela dos candeeiros de Lisboa, a noite ganha sonoridade. Nas tascas, ouve-se o fado. Entre habitantes locais e estrangeiros, ao ouvir as belas vozes dos fadistas, um coração brasileiro compreende a melancolia do espírito português.
Um senhor na Tasca do Chico ensina-me a ouvir fado como deve de ser: “apoie o queixo nas mãos, feche os olhos e abra o seu coração”. O dono do talho (açougue) à espera de clientes atrás do balcão na rua de Algés, pela qual passo todos os dias, mostra-me que devo ter paciência e aguardar. A senhora de pantufas e roupão, que passeia à noite com o cão, demonstra que ainda há tranquilidade neste mundo. Os africanos que vendem bijouterias às dúzias, penduradas nos braços, ensinam-me a persistência necessária para sobreviver à crise mundial.
Breves momentos de felicidade são como gotas de orvalho, mas podem deixar marcas oceânicas dentro de nós. É como um sorriso que timidamente se abre no rosto, mas que, aos poucos, contagia todos ao seu redor.

*Ilustrando o post, foto tirada no dia 14 de fevereiro, Valentine´s day, em Caldas da Rainha.

fevereiro 23, 2009

E o mundo não se acabou


Só se fala em crise por aqui. Eu continuo tomando o meu café bem forte todos os dias e assistindo aos noticiários com as “antenas ligadas” e o “cérebro mole”. De prefêrencia bem mole que é para aguentar tamanha indisposição.
Então, olho para o céu lisboeta, ensolarado finalmente desde o dia 15 de fevereiro, e confesso que não vejo nenhum Deus irado a olhar para nós. Será que ele não estará filmando tudo e apresentará em breve a sua grande obra-prima? Cá para nós, deve ser apenas mais um grande longa-metragem. Quiçá terá o título da composição do baiano Assis Valente, eternizada na voz de Carmen Miranda: “E o mundo não se acabou”.
Em letras garrafais veremos surgir no céu esta frase anti-apocalíptica e a trilha sonora no Brasil será a própria canção: “Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar/ Por causa disso, minha gente lá de casa, começou a rezar/ E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada/ Por causa disso nessa noite, lá no morro, não se fez batucada/ Acreditei nessa conversa mole/ Pensei que o mundo ia se acabar/ E fui tratando de me despedir/ E sem demora fui tratando de aproveitar/ Beijei a boca de quem não devia/ Peguei na mão de quem não conhecia/ Dancei um samba em traje de maiô/ E o tal do mundo não se acabou”.
Portanto, depois da virada do século sem apocalipse, o Todo-poderoso só pode estar fazendo cinema. Enquanto isso, legiões de pessoas solitárias lotam igrejas e consultórios de psicologia e psiquiatria. Barack Obama parece ser o Salvador mítico dos americanos.
Mas sugiro não esperarem pela estréia da película (35mm), deprimidos em casa, pois terão perdido um tempo precioso de suas vidas. Acho que o Senhor Criador resolveu esperar um pouco mais e lançar o filme somente em 2010, quem sabe até lá o Salvador Obama não consiga mudar o roteiro.
Não há o que esquentar. Crise? Que nada! Logo está a chegar o carnaval.Todo mundo veste a sua máscara predileta, ricos e pobres, todos iguais enchendo copos e pulando no salão. A folia passa e finalmente o ano inicia no Brasil.
Aqui em Portugal o carnaval já começou. Estamos em ano de eleições (européias, legislativas e autárquicas) e a imprensa reaviva escândalos envolvendo o primeiro-ministro José Sócrates (PS). A oposição solta confetes.
Parece que o caos está instalado, mas a crise tende a melhorar em 2010. Então, o Senhor lança a sua obra-prima e todo mundo compreende que o mundo não se acabou, afinal foi apenas mais uma tentativa frustrada por parte da humanidade.

*Crônica inspirada em post do Blog do Cabeludo.

Foto: entre o céu e a terra, poço iniciático maçônico, Quinta da Regaleira, Sintra.

fevereiro 16, 2009

Love is possible



Quando penso seriamente sobre a vida (e tenho feito isso demasiadas vezes nos últimos tempos), chego à breve conclusão de que somente o amor vale a pena.
"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã": uma frase clichê de Renato Russo tornou-se o meu mantra diário.
Não quero saber se a bolsa caiu, se a crise pegou, se o tormento voltou, onde está agora o meu amor?

"Chega aqui, dá-me um beijo e tudo passa.
Tudo passa..
Amo-te Dago!"

Yes, love is possible!

* Ilustrando o post, foto de minha autoria, em Sintra.

fevereiro 05, 2009

Fado vadio na Tasca do Chico


Até ontem à noite posso afirmar que eu não havia escutado fado de uma maneira singular.
Quando estiver em Lisboa, suba a Rua Diário de Notícias, no Bairro Alto, e encontrará um burburinho de jovens e alguns senhores, todos com a tarefa árdua de segurar um copo na mão. É ali mesmo, o ponto de encontro de gerações de fado vadio (há algumas divergências quanto a esta denominação, mas deixo aqui porque apreciei o nome).
Preferível chegar por volta das 20h30min para reservar uma mesa. Enquanto aguarda o espetáculo, pode beber umas imperiais ou uma jarra de vinho. E que tal um queijo de Évora ou chouriço assado, preparado na mesa, para acompanhar? Mas é preciso ter prática para virar o chouriço com aquela chama acesa. Senão até pode queimar. O cheirinho com certeza espalha-se pelo ambiente e todo mundo fica com vontade de provar.
As mesas de madeira e os bancos compridos, sem encostos, dão o ar peculiar de tasca mesmo. Nas paredes, pôsteres antigos ilustrados com fotos de fadistas tradicionais confundem- se com cartazes atuais e fotos de artistas que estiveram ali, tudo confere ao bar um ar meio kitsch (inclusive a mistura de gente).
Os fadistas e o público português habitual marcam presença, às segundas e quartas, os turistas vão chegando em turmas e pegando algumas sessões.
Por volta das 22h, a luz é apagada pelo apresentador que inicia o espetáculo, chamando os fadistas que estão sentados entre nós. O Sr. Polícia, como o apelidei, é uma simpatia, mas pede silêncio ao público inúmeras vezes e controla tudo, principalmente os que chegam e onde podem sentar.
José Manuel de Castro toca a sua guitarra e todos fazem silêncio naturalmente.
Patrocínia, Catarina e Alexandra, Beatriz, lembro-me dos nomes, mas sobretudo das vozes.
Maravilhoso, emocionante.
Nossas amigas brasileiras foram embora e três portugueses, por volta dos 60 anos, compartilham a mesa conosco.
Quando a última sessão de fado inicia, perto das 2h da manhã, observo os senhores em minha frente, com os rostos apoiados nas mãos e os olhares perdidos ao longe. Sinto-me, afinal, um pouco como eles.
Saio de lá inspirada. Uma boa noite na tasca faz toda a diferença na vida da gente.
...
E a história da Tasca:

"Foi em 1994 que Francisco Gonçalves, natural de Amarante e a viver no Bairro Alto desde 1972, abriu a "Tasca do Chico".
Trabalhava na "Adega Mesquita", conhecido restaurante e casa de fados do bairro, e começou a aperceber-se de que as tascas típicas estavam a fechar para dar lugar aos bares. "Era com pena que via isso". Com o "bichinho do fado", Chico decidiu aventurar-se e criar o seu próprio negócio, reservando duas noites por semana para o fado vadio.
Tem um ambiente espectacular, quase mágico, que o transporta tanto pelo “antigo” fado como por novas expressões do mesmo."

fevereiro 04, 2009

Yes, we can!



Sente-se impotente em relação ao tempo?
Consegue gerir o seu tempo como gostaria?

Acorde
Veja
Sinta
Assimile
Coma
Beba
Corra
Trabalhe
Cozinhe
Lave
Leia
Perceba
Insista
Escreva
Escute
Pense
Fale
Assista
Durma

Mas em meio a tudo isso, com todos os verbos que quiseres acrescentar, guarde um tempo para si!


Ilustração Paul Holland

fevereiro 03, 2009

Da sobrevivência


Tenho observado que falar sobre a minha experiência pessoal e relatar as minhas observações do ponto de vista (pretensamente) etnográfico, pode ser muito mais interessante ao público-leitor.

Também percebo que escrever crônicas literárias pode ser bem criativo e inspirador.
As minhas tentativas em aprimorar a minha escrita, portanto, podem surtir algum efeito, mesmo que este inicie apenas por uma escrita mais pessoal (quase terapêutica).

Tenho observado a realidade portuguesa, há 8 meses.
Assumo que eu fui mais espectadora do que qualquer outra coisa.
Pois bem, não deixo de ser uma sobrevivente.

Portanto, assumirei este blog como um diário de uma sobrevivente da crise.

Não é apenas a crise política e econômica que me abate, é a crise de quem está chegando aos 30 anos e tem reavaliado seu passado, seu presente e suas estratégias futuras de vida.
Esta crise aflige multidões de jovens adultos e enche consultórios de psicologia e psiquiatria.
Obrigada pela sua atenção em ler este post.
Foto postada: Quinta da Regaleira em Sintra

fevereiro 02, 2009

Foda-se!


Costumo prever quando a situação está a ficar grave pelo estado de minhas unhas.

Sofro de um mal crônico (pretensamente controlado).

As minhas lindas unhas estão sempre pintadas, deves imaginar o porquê.

Se eu estou a roer apenas o cantinho do dedo mindinho, pode ter certeza que é da ordem dos problemas inventados (pretensamente mais de ordem feminina e novelísticos).

Mas quando puxar mais um pouquinho aquela cutícula inconveniente, podes crer que não é invenção, estão ali mesmo as emoções a pulularem o coraçãozinho escorpiano. E as minhas amadas unhas tremem de medo.

Quando eu parto pelo menos duas unhas no cantinho e puxo com os dentes até sair completamente as coitadinhas, inteirinhas, pode crer que a ansiedade bateu e o bixo comeu.


Mas ainda há três unhas inteiras em cada mão, hiiiiiii, a coisa está grave, porém, controlada (ufa!).



Então, lembro-me do conselho (muito útil por sinal) de minha irmã mais velha:

Se você enxerga um problema e avista a solução, não vale a pena pensar, afinal logo o caso estará solucionado.

Quando não há solução aparente para o problema, ou seja, não há o que fazer no momento, então, o melhor ainda é não pensar, pois afinal quando cansar-se de pensar, o problema já estará resolvido (ou não, rsrs).


Portanto, a frase do Mia Couto está novamente em alta neste blog...

"Pensar traz muita pedra e pouco caminho".


Mas como eu sou a caçula "porra-louca" da família, quando não há solução para o maldito problema,

o bendito "Foda-se" entra em ação.
...............


Oh "Foda-se" nosso de cada dia, ajudai-nos a aliviar nossas tensões cotidianas;

Fazei com que eu sinta-me mais relaxada e coma o jantar ao invés das unhas;

Apelai para o instinto de preservação da pretensa pessoa equilibrada e serena de cada dia;

Santificado seja o nosso "Foda-se" !



........... FOoooooooDA-SE!!!!




P.S.: Sorry, blasfêmias ou ironias toscas têm um certo poder terapêutico em dias que começam ensolarados e terminam caóticos (pelo menos dentro de nós).



AH...PRA FICAR COM UM TEXTO QUE REALMENTE VALE A PENA LER, já circulou em emails desde 2000, mas se alguém ainda não leu, aí vai...


O direito ao foda-se!


(do carioca Pedro Ivo Rezende)



Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua.
"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não''! E tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade ''Não, absolutamente não!'' O substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porranenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do ''foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.". Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".
O direito ao ''foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e FODA-SE.

* Foto de minha autoria clicada embaixo da Ponte 25 de abril