fevereiro 02, 2009

Foda-se!


Costumo prever quando a situação está a ficar grave pelo estado de minhas unhas.

Sofro de um mal crônico (pretensamente controlado).

As minhas lindas unhas estão sempre pintadas, deves imaginar o porquê.

Se eu estou a roer apenas o cantinho do dedo mindinho, pode ter certeza que é da ordem dos problemas inventados (pretensamente mais de ordem feminina e novelísticos).

Mas quando puxar mais um pouquinho aquela cutícula inconveniente, podes crer que não é invenção, estão ali mesmo as emoções a pulularem o coraçãozinho escorpiano. E as minhas amadas unhas tremem de medo.

Quando eu parto pelo menos duas unhas no cantinho e puxo com os dentes até sair completamente as coitadinhas, inteirinhas, pode crer que a ansiedade bateu e o bixo comeu.


Mas ainda há três unhas inteiras em cada mão, hiiiiiii, a coisa está grave, porém, controlada (ufa!).



Então, lembro-me do conselho (muito útil por sinal) de minha irmã mais velha:

Se você enxerga um problema e avista a solução, não vale a pena pensar, afinal logo o caso estará solucionado.

Quando não há solução aparente para o problema, ou seja, não há o que fazer no momento, então, o melhor ainda é não pensar, pois afinal quando cansar-se de pensar, o problema já estará resolvido (ou não, rsrs).


Portanto, a frase do Mia Couto está novamente em alta neste blog...

"Pensar traz muita pedra e pouco caminho".


Mas como eu sou a caçula "porra-louca" da família, quando não há solução para o maldito problema,

o bendito "Foda-se" entra em ação.
...............


Oh "Foda-se" nosso de cada dia, ajudai-nos a aliviar nossas tensões cotidianas;

Fazei com que eu sinta-me mais relaxada e coma o jantar ao invés das unhas;

Apelai para o instinto de preservação da pretensa pessoa equilibrada e serena de cada dia;

Santificado seja o nosso "Foda-se" !



........... FOoooooooDA-SE!!!!




P.S.: Sorry, blasfêmias ou ironias toscas têm um certo poder terapêutico em dias que começam ensolarados e terminam caóticos (pelo menos dentro de nós).



AH...PRA FICAR COM UM TEXTO QUE REALMENTE VALE A PENA LER, já circulou em emails desde 2000, mas se alguém ainda não leu, aí vai...


O direito ao foda-se!


(do carioca Pedro Ivo Rezende)



Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua.
"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não''! E tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade ''Não, absolutamente não!'' O substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porranenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do ''foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.". Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".
O direito ao ''foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e FODA-SE.

* Foto de minha autoria clicada embaixo da Ponte 25 de abril


2 comentários:

Luciana F. disse...

sim, o foda-se é uma maravilha...uso muito!(mas, como uma boa control-freak, uso bem menos do que deveria!) bjos

Aline disse...

Mana!
Adiciono ao comentario um trecho de musica do Paulinho da Viola, em que o camarada tenta encontrar uma explicacao para a sua vida

... ela nao eh uma equacao. A vida, portanto, meu caro, nao tem solucao!