março 12, 2009

As pontes de quem sonha


“Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.
– Mas qual é a pedra que sustenta a ponte?
– pergunta Kublai Khan.
– A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra
– responde Marco –, mas pela curva do arco que estas formam.
Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:
– Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.
Polo responde:
– Sem pedras o arco não existe.”

(Diálogo entre o imperador Kublai Khan e o viajante veneziano Marco Polo, retirado do livro Cidades Invisíveis, do escritor italiano Italo Calvino).

Assim como o imperador, muitas vezes esquecemo-nos das pedras e estamos apenas interessados no arco. Também custamos a acreditar que não há apenas uma pedra sustentando a ponte. Na realidade, todas as pedras são elementos importantes e conjuntamente exercem o seu papel.

Acredito que somos pedreiros na vida. Conforme nossos sonhos construímos novas pontes. Ao visualizá-las, podemos observar as pedras que a compõem, valorizar os gestos empreendidos em cada movimento, ou contemplar o todo e decidir seguir adiante.

Os vai-e-vêns, os impasses, as frustrações e sobretudo os avanços. Algumas pedras firmam-se, outras racham com o passar do tempo.
Após concluída uma ponte, esta nos dará acesso a novos caminhos que, por conseguinte, nos levarão a outros. Ao contemplarmos a nossa meta ao longe, temos a impressão que carregamos algumas pedras pesadas que custaram-nos bastante. E as primeiras empreitadas de um estrangeiro realmente parecem um longo pesar nestes tempos imprecisos.
Todavia, o que nos sustenta para construirmos novas pontes é a convicção dos caminhos a seguir. Se não soubermos aonde queremos chegar nada faz sentido.
Ilustrando o post, foto de Ponte sobre o Rio Tevere, Roma (2006).

2 comentários:

A disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anderson disse...

Ótimo post e linda foto, Lari!! Bjo!