março 02, 2009

A vacina do século


Esta noite tive um sonho que mexeu comigo, não lembro-me muito bem do que se tratava, mas acordei com uma idéia fixa, talvez o que restou de todo aquele emaranhado de pensamentos inconscientes.

Já imaginou se pudesse se vacinar contra a porção insuportável de si mesmo(a)?

Seria a "vacina do século", uma poção valiosa que todos teriam acesso quando já não aguentassem mais os seus comportamentos repetitivos e imbecis. Ao tornarem-se lúcidos, abominariam os seus próprios vícios e defeitos.
Mas para ter direito à vacina contra si mesmo(a) teria que, antes de tudo, abdicar desta porção que o(a) torna insuportável. Não era preciso entrar na Igreja Universal do Reino de Deus, nem lotar altares cristãos e templos budistas. Não era necessário tomar antidepressivos, nem ansiolíticos, muito menos frequentar casas de massagem, centros zen, aulas de yoga ou tay chi chuan, nem ser picado por agulhas de acupuntura.
Para largar os vícios, daria uns passos mágicos em direção ao posto de saúde mais próximo, aguardaria em uma fila, pois neste caso um bocadinho de espera e contemplação não faz mal a ninguém. Longe do passado imperfeito e do futuro do pretérito. Apenas o presente ali, com alguns pensamentos altruístas.
Para ter acesso à vacina, bastaria acordar com esse intuito e propor sinceramente a si mesmo o que pretende melhorar.
Imagine que todos tomariam a "vacina do século" quando estivessem preparados e a humanidade teria alguma chance de sair da era da falência de valores, da maldita era da depressão. Toda essa gente imperfeita teria um aliado precioso para prevenir os seus desastres pessoais. Bastaria admitir os seus demônios e acreditar verdadeiramente que os outros não merecem isto.
Depois de tomar a vacina, restava seguir o seu caminho, em partilha com outros seres humanos, demasiados humanos como a gente.

Uma vacina contra si mesma: quem sabe não seja disto que eu precise para sair do meu próprio círculo. Por ser demasiado rabujenta é preciso criar uma vacina de auto-preservação.

Mas serviria, então, de reflexão: como ficaria o mundo sem gente que erra? Que graça teria essa roda-gigante? De onde tiraríamos a inspiração para a literatura, a arte, a música? Seria a morte às novelas. Que coisa triste, que vivam todos sem vacina! Sigamos errando, aprendendo e quem sabe acertando da próxima vez!

1 comentário:

Viviane P. - NH disse...

Que bom ler um texto seu! Que saudade menina! Adoro cartas "à mão", mas a tecnologia é maravilhosa! Um super abraço - ah! abraços também podem ser poderosas vacinas, não acha?