abril 26, 2009

A herança de Bach



Desde a última sexta-feira entrei num estado zen musical, uma espécie de encantamento apoderou-se do meu espírito.
Sempre tive interesse por música, mas o meu gosto musical parece estar mais apurado nesses últimos meses. O fato de ir a quase todos os concertos de jazz no Centro Cultural de Belém (todas as quintas-feiras de março e abril, gratuitamente) talvez tenha sido um bom motivo para essa evolução.
Mas posso dizer que esse final de semana foi simplesmente o apogeu.
Parecia mais um breve fim de semana de frio e vento gelado cortante, com a correria do trabalho das últimas semanas a pesar sob os ombros e a cabeça. Mas os Dias da Música, no Centro Cultural de Belém (dias 24, 25 e 26), salvaram-me do estresse. Com a temática “A herança de Bach”, o CCB apresenta concertos maravilhosos por preços acessíveis ao grande público.
Na sexta-feira gélida, conheci um dos melhores músicos portugueses da atualidade, o pianista Filipe Pinto-Ribeiro. O concerto “A arte da fuga: Bach, Mendelssohn, Franck e Schostakovich” foi simplesmente espetacular. A fuga é uma forma de composição musical baseada no princípio da imitação insistente em diferentes partes ou vozes, dando a sensação de que estas vão fugindo umas das outras, perseguindo-se ou procurando-se.
No sábado, às 14h, assisti ao concerto maravilhoso do pianista Bernardo Sasseti. Música improvisada numa leitura pessoal com base em J. S. Bach e Thelonius Monk. Uma das coisas que aprecio neste músico talentoso é a forma despojada e despretensiosa como apresenta-se. Ele é muito carismático. Mas o jazz sempre ganha-me por completo…
Às 20h, assisti um concerto de Bach. The King´s Consort Orquestra e Coro, com solistas (soprano, contratenor e tenor), dirigido por Matthew Halls. O coro recordou-me a época em que cantava no Coral de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Bons tempos aqueles de exercitar a voz e a sensibilidade musical.
Às 22h, o grande concerto da Orquestra Sinfônica Nacional da Ucrânia, dirigido por Volodymir Sirenko e com o violionista português Otto Pereira. A sinfonia nº 5 em Ré menor de Mendelssohn foi o ponto alto da noite.
No domingo pela manhã, assistimos ao concerto da Orquestra do Algarve, com a soprano Raquel Camarinha. Eles interpretaram “as bachianas brasileiras” do Heitor Villa-Lobos. Muito emocionante, sobretudo a interpretação da soprano Raquel Camarinha. De encher os olhos de lágrimas e deixar um bocadinho mais apertado o coraçãozinho brazuca.
À tarde, uma aproximação a alguns compositores que ainda não tinha ouvido anteriormente, interpretados pelo ousado Schostakovich – Ensemble. Liderado pelo pianista Filipe Pinto-Ribeiro, o grupo tocou composições de Arvo Pärt, Sofia Gubaidulina e Alfred Schnitke. Confesso que gostei mais do primeiro compositor, mas os outros são demasiadamente atonais e modernos para o meu ouvido.
Terminamos nossa maratona dos Dias da Música, com o concerto do Leipziger Streichquartett (Quarteto de cordas de Leipzig). Com chave de ouro, simplesmente perfeito!
Posso afirmar que não há nada melhor para higienizar o cérebro do que ouvir música instrumental. Sinto-me pronta para mais uma semana de estratégias e reuniões. Um bom fim de semana, uma grande empreitada pela frente… A herança de Bach como inspiração…

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