fevereiro 26, 2010

O fado é mais excitante


Ainda sobrevivo.
Nostálgica e um bocado trágica como sempre.
Tenho me dedicado à fotografia, boas leituras, alguma ginástica cotidiana.
Devo agradecer pois estou a trabalhar muito. Há quem não consiga sair da crise que lixou (fodeu) tudo em 2008, assolou 2009 e ainda arrasta-se por 2010.
Atónita (atônita), tenho observado os movimentos da natureza. Terramoto (terremoto) no Haiti, enchentes no Brasil e na Ilha da Madeira...
Ano passado caiu uma ponte por causa de uma enchente, transbordou o Rio Jacuí, no estado onde nasci...Rio Grande do Sul (Brasil). Recentemente foi a tragédia na ilha da Madeira. Uma grande tragédia. Hoje vi na tv todos a unirem-se, em solidariedade, a limpar os restos e reconstruir as suas vidas.
O mundo está a se rebelar, ou a se revelar...quem sabe.
Às vezes chego a pensar que muita gente ainda não percebeu nada. (será que não é melhor assim?)
Os reflexos do aquecimento global serão cada vez mais evidentes.
E então a crise não será apenas económica (econômica) nem de valores. Será "terrena"?
Catástrofes naturais, os maias, o tal "segredo" que eu ainda estou tentando descobrir. Viva as profecias, eu prefiro Pessoa e os seus heterónimos, eles dizem-me o caminho. rs.
Eu, cá comigo (bem redundante), no meu canto luso-brasileiro em Algés, sigo a navegar conforme a maré, olhando para o Tejo, a fazer a ginástica na vida.
Por ora...
Cansei até das minhas palavras vãs. "Terrenos", que raio é isto? Perdemos o contacto (contato) com a natureza, com o modo simples de viver, não temos mais a intuição da sobrevivência. Somos desumanos.
Tenho escrito pouco, porque observar a "desumanidade" e alguma humanidade (ufa!) que brota nos sítios (lugares) mais improváveis basta-me...seja aqui ou qualquer lugar, é geral....
Trabalhar bastante, ganhar dinheiro para viajar e fotografar. Ô vidinha intelectual burguesa. Mas é uma granda (grande) estupidez citar sempre qualquer coisa para tentar ser feliz.
Aliás, viver entre tanta estupidez é deveras cansativo. Até eu já tornei-me estúpida.
O desastre está dentro de cada um de nós. O trágico guarda algo demasiadamente belo para abdicarmos...mentes crentes, insanas, regatas soltas a navegar....
Pessoas sensíveis. É disto..contacto (contato) com gente que sorri e chora, tem medo, sofre, alenta.
Se debater, por tão pouco... tantas discussões baratas, politicagem de merda (vão aprender a ser maus políticos no Brasil, hehe).
Há tanta coisa boa, tantas pessoas inteligentes escondidas atrás do Doutor. Destronem-se umas às outras até não sobrar resto de nada. Estou a ver, apenas, de camarote.
Cansa-me imenso essa parvoíce (não vou traduzir) colectiva. Impregna-me o espírito, disseca-me os ossos, esfria-me as têmporas.
Afinal... conversar, traçar um caminho, respeitar, trabalhar, amar e sorrir.. é tão difícil assim?
O fado é, sem dúvida nenhuma, mais excitante.
Ilustrando o post, fotografia de minha autoria no Centro Cultural de Belém.

4 comentários:

Erica Moreira disse...

Gostei muito e me identifico com suas palavras!

Larissol disse...

Muito obrigada Erica! Um abraço!

Joel M. disse...

Encontro nas palavras as pegadas de uma viajante que traça um rumo firme e seguro, que julgo idêntico ao meu... Sobrevirei?!

Larissol disse...
Este comentário foi removido pelo autor.