maio 25, 2010

Porto em poucas palavras

Rio Douro, passeio sob nuvens cinzentas, do barco transporto-me para o indescritível.
Sou parte do rio e nele refaço-me mil vezes. Sou mil mulheres de tantas faces todas refletidas neste espelho verde escuro, na água profunda do meu ser.
Dura o instante.
25 de maio é brindado com um cálice de vinho do Porto que acompanha-me no cruzeiro, assim como a companhia de quem fui, de quem sou e quem eu almejo ser.
;-)
Adorei esta cidade, fui bem recebida no Hotel Peninsular, tive bons momentos ao lado dos meus pais. Comi muito bem e tomei muito vinho do Porto!
Amanhã partimos para Milão e começamos a nossa jornada pela região de Vêneto...
Logo escrevo mais impressões por aqui.

maio 16, 2010

É hora de partir

Há momentos que sinto-me mais desperta para o mundo. Como se pudesse ouvir aquilo que apenas os cegos escutam.
Não ignoro aqueles que falam... Ouço-os como se estivesse interessada, mas os meus pensamentos estão muito longe.
Vivo um tempo impreciso, como todos, aliás. A consciência da efemeridade causa-me uma liberdade mental incrível, entretanto, pode paralisar-me. É o tempo psicológico que não acompanha o tempo cronológico.
Os segundos são da respiração, os minutos são de meditação, a hora é de paciência. Comunico-me comigo mesma para ouvir o batimento do meu coração e sentir apenas... Nenhuma ilusão é capaz de tirar-me do meu eixo. Se estiver desperta para o que realmente me faz bem e respeitar-me, aceitar-me simplesmente como uma sobrevivente.
:..:
Sinto vontade de viajar, conhecer novas culturas, sentir novos aromas, tocar novas texturas, libertar-me do cotidiano, ouvir outro idioma, beber, rir, cantar, andar pela rua sem destino... perceber outros contextos e rever-me (como sempre) a partir disto.
Logo estarei embarcando...

Confiram aqui alguma escrita de viagem no final de maio.
Norte de Itália, Madrid e Paris..

maio 13, 2010

Assim, louca


Nós nunca nos realizamos.

Somos dois abismos - um poço fitando o céu.

O livro do Desassossego - Bernardo Soares.


Sensível, inútil, perplexa. Desço mais dois degraus e penso. Ridícula, afoita, ansiosa. Suspiro profundamente e deixo uma pequena lágrima cair. Segue o teu caminho. Óculos escuros, mais um passo em direção à rua, onde mesmo? O que será que me espera lá fora? Será algo melhor do que o que me consome por dentro? Não sei nada ao certo. E ainda bem que tento. Mais do que faço...será possível...o tormento.
Talvez se pudesse agir mais do que pensar sairia da perfeição do círculo. Mas que ilusão é esta de que nada acontece?
A mulher entra no seu mercedes, o síndico fala do telhado. As crianças jogam bola na rua. Eu jogo com as ideias. Parar de pensar e agir. Faço ligações, corro atrás de uma solução para este caos que fodeu este país.
Será que há algo para além do saldo da conta no banco?
Do que faço guardo a vaga impressão do que passou... e que bom...mas passou... e já vem outra sensação, uma razão ilusória para existir...trabalhar...fazer...ser mais uma laborandi person.
E o que vem depois desta angústia?
O mercado cai...tudo cai... Voltar pro Brasil. E sobreviver, mas sou uma estrangeira para sempre. Há uma borboleta que insiste em entrelaçar-se nos meus cabelos.
A minha respiração fica mais ofegante. Mesmo que siga, tome o meu café e volte para o trabalho... há sempre algo que falta.
Um som, uma nota qualquer que interrompe o meu sono. Só quero dormir um sono calmo, reparador. Tirem-me daqui. Quero ser uma pessoa melhor. Menos ansiosa. A inquietação faz parte de mim.
Aceito-me. Ainda bem.
Assim, louca.