setembro 24, 2010

Sobrevivendo, por pouco tempo.















Neste tempo nervoso e veloz, quando o verbo no imperativo tornou-se óbvio, sou teimosa em acreditar que tudo é relativo. Foda-se!
Esta merda de crise provoca alguns sofrimentos psíquicos, por vezes, incontornáveis nas pessoas. Mas eu não quero ser mais um número nesta lista. Eu nego-me a admitir isso.
Estou cansada de ouvir que Portugal tem "um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, que aguenta sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice"...
Eu vejo cada um no seu quadrado. Há pessoas boas e más em qualquer lugar... estou pacientemente à espera de que algo melhor aconteça e mostre-me que não estou aqui à toa.
E sinto apenas um sentimento de estranhamento apoderar-se de mim com cada vez mais intensidade.
Sou uma imigrante, embora não tenha um perfil comum de um imigrante... Não vim pra cá pra fazer dinheiro apenas. Estou em busca de conhecimentos.
Sou muito lutadora, não desisto facilmente das coisas, mas estou a um passo disto.
Por que ainda continuo por aqui?
Talvez por teimosia ou ingenuidade.
Porque no fundo, mesmo no fundo, aprecio este país e a sua gente. Porque fiz amigos, grandes amigos: portugueses, brasileiros, estrangeiros. Porque percorri Portugal de norte a sul e amei tudo o que vi...porque aqui encontrei o meu amor, porque aprecio a culinária portuguesa, adoro assistir a um bom concerto... Porque amo a costa do Estoril e adoro tomar uns copos numa esplanada. Por coisas tão simples como passear no Chiado ou fazer as compras no Pingo Doce; porque aprecio comprar roupas com um bom acabamento e estilo por um preço acessível; porque gosto de conhecer outros países, viajar...falar inglês...conhecer outras culturas. E tudo isso é muito mais fácil por aqui.
No Brasil, temos tantas coisas boas, mas o acesso à cultura, viajar, etc, não são tão acessíveis à classe média, pelo menos por enquanto.
Ouço tantas pessoas falando que estão voltando para o Brasil ou até mesmo muitos profissionais portugueses que estão tentando a vida por lá. Realmente será uma potência no futuro... mas ainda tem graves problemas económicos e sociais, violência, desorganização, etc. É claro que depende do lugar onde escolhe-se para viver. Já começo a fazer filmes na minha cabeça.
As pessoas não sabem para onde ir, o que fazer para safar-se nesta situação.
Muitos perderam os seus empregos e aqueles que ainda os têm fazem de tudo para não perdê-los.
Há pessoas que ganham com a crise, encontram oportunidades no meio disto tudo. Oferecem saídas para os seus clientes. Eu gostaria de acreditar mais fielmente nisto. Entretanto, tenho feito tantas coisas diariamente para tentar ser mais positiva.
Este sentimento de isolamento é ridículo. Sei que ao escrever neste blog estou ligada a uma rede de pessoas, que milhares de pessoas podem vir a ler o que estou a escrever. Entretanto, sinto-me completamente sozinha. E porque será? Porque é o mal do século?
Pois, talvez seja mesmo.
Espero sobreviver a isto. E receber pelo menos uma resposta aos 50 emails que enviei.
Estou cansada de não ter feedback.
Retornei, dei opiniões, retroalimentei-me, dei respostas a mim mesma. E isso me basta agora. Não sei mais qual é o sentido desta palavra. Continuo a esperar, por pouco tempo.

setembro 16, 2010

Sobre a exposição Os Gémeos

A exposição Pra Quem Mora Lá o Céu É Lá dos artistas brasileiros "Os Gémeos" ainda pode ser conferida no Museu Berardo (Lisboa) até o dia 19 de setembro.

"É um momento marcante. Pela primeira vez um museu em Portugal recebe uma exposição de artistas oriundos do graffiti. (...)



É possível que já tenha passado por criações da autoria deles, nas ruas de São Paulo, Berlim, Londres ou Nova Iorque. São fáceis de identificar. Normalmente são cenas etéreas povoadas de amarelos e roxos, com olhos inocentes, crianças de pernas franzinas e cabeças enormes, inscritas em murais de grandes dimensões, em prédios devolutos. É difícil não fixar essas imagens pictóricas. Pela escala, poesia e forma como interagem com o espaço envolvente. Criam um clima de romantismo na desordem urbana.

A dupla brasileira Os Gémeos, os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, 35 anos, são duas das figuras mais importantes do graffiti, ou arte de rua. Nos últimos anos já não criam apenas nas artérias das grandes cidades. São também solicitados para expor em galerias, bienais, museus. (...)

A transposição da rua para as galerias de arte não é novidade. Keith Haring ou Jean-Michel Basquiat, já falecidos, ou os contemporâneos Barry McGee e Banksy, fizeram-no. Mas nos últimos tempos tem-se assistido com mais frequência ao fenómeno. A mostra efectuada há dois anos pelo mais influente museu de arte contemporânea da Europa, a Tate Modern, para a qual Os Gémeos contribuíram com um dos murais gigantes expostos no exterior, ajudou a credibilizar uma série de artistas. (...)

As suas criações contemplam visões do quotidiano, cenas simples mas sensualmente ricas, evocações dos esquecidos das margens da sociedade ou retratos comoventes de famílias. É um imaginário sonhador e intimista, às vezes burlesco e possuído pela crítica social, aquele que por norma propõem.
Quando interrogamos Gustavo sobre o que os inspira, a resposta surge em rajada: "O nosso trabalho reflecte as vivências, o olhar, os sonhos, as histórias, os relacionamentos familiares, a poesia, a música, a comida, o folclore do Brasil, o silêncio, pessoas que vivem com salários de miséria mas estão sorrindo, tudo isso é filtrado."
É caso para dizer que a arte de rua, durante décadas desvalorizada, já não se move apenas no maior museu a céu aberto do mundo, a rua, mas também nos espaços museológicos que, durante anos, tinham reticências em aceitá-la. Nunca como no contexto actual as técnicas do graffiti pareceram tão próximas das dinâmicas regulares da arte contemporânea. Na rua, ou na galeria, o traço pictórico lúdico que Os Gémeos colocam na sua actividade é reconhecido, tem identidade, projectando ideias que tornam a vida mais interpeladora. Se isso não é arte é o quê?





Fonte: 17.05.2010 - jornalisa Vítor Belanciano - Ípsilon - Publico on-line.
Fotografias: Dago e Larissa Vianna

setembro 01, 2010

Retornando às origens

Monumento aos emigrantes italianos que foram para a América

O meu pai, jornalista Hélio Scherer, viveu momentos de grande emoção no último dia 27 de maio, ao conhecer a “aldeia” de Valli del Pasubio, na província de Vicenza, norte da Itália. O Valli del Pasubio é uma pequena aldeia, com um relevo montanhoso (desnível do ponto mais baixo ao ponto mais alto chega a 1900 metros) e de muitos bosques. Desta terra o seu avô materno, Giovani Antonio Roso, partiu no ano de 1892, há 118 anos, para residir em Galópolis, no município de Caxias do Sul, Brasil.
Hélio Scherer e seus tios também são netos de um imigrante alemão, João Scherer. Mas como já tínhamos algumas informações sobre os seus antepassados italianos, com o gentil apoio do italiano Livio Dalle Molle, meu pai, acompanhado de mim e de minha mãe, tivemos a oportunidade de apurar mais detalhes junto aos arquivos da Paróquia de Santa Maria (Chiesa Arcipretale di Santa Maria), em Valli del Pasubio.
Dentro daquela Paróquia, em meio aos registros antigos, guardados há séculos, vivemos momentos únicos, que ficarão guardados para sempre nas memórias e nossos corações.
Quando Hélio percebeu que foi naquele lugar que nasceu o pai de sua mãe chamada Odila Roso, o avô Giovani, obviamente ficou muito emocionado. Penso que mesmo com a sua facilidade em escrever, tendo como grande paixão a escrita jornalística, naquele momento seria um desafio pedir-lhe que traduzisse em palavras as suas emoções.
Com palavras de filha e bisneta, e um coração ítalo-brasileiro, percebo um pouco o que ele sente.
As nossas origens são fundamentais para a nossa história de vida, pois são nada mais do que a essência de quem somos. Acredito que as heranças míticas dos nossos descendentes estão no nosso inconsciente. Ao passo que compreendemos esta essência, algo de mágico nos acontece, pois compreendemos a nossa história para além do que nos ensinam os livros, a escola, os media, etc.
Lembramos do sotaque da avó, dos costumes da família, fazemos ligações mais profundas e começamos a entender um conjunto de valores que sustentamos durante toda a vida sem sabermos bem o porquê. Disto isto, posso afirmar que é uma grande oportunidade e que não há uma viagem mais bonita que aquela que nos proporciona algum crescimento pessoal, no presente caso o resgate de um passado que repercute em nossa vida.
A origem dos Rosi (plural de Roso)
E nesta vistia, conseguimos retroceder no tempo, obtendo dados de nossa árvore genealógica até o ano de 1676. Neste ano Matteo, filho de Cristoforo Roso, casou-se com Anna, filha de Michele Sorgato. A partir desta união, sucederam os nascimentos dos antepassados (aqui indicados os nomes dos homens, que passam pela tradição o sobrenome (apelido) Roso): Michiel Roso em 1682, Domenico Roso em 1716, Lazzaro Roso em 1765, Domenico Roso em 1787, Luigi Fortunato em 1825 e Giovani Antonio Roso em 1856 – este pai da minha nona Odila Roso, (in memorian) nascida em 1909, em Caxias do Sul. Nos registros encontramos o seu nome grafado como “Gio”, tratando-se do diminutivo ou um apelido carinhoso para o seu nome.

Italy II

Ilha de Burano - família a pescar

Relax in Roma

Carabinieri - Roma

A espera - Ilha de Burano

Murano fiori

Muran

Finestra

Compartilho convosco algumas fotos que tirei na Itália.