novembro 17, 2010

É pra lá que eu vou


Ainda tenho muito caminho pela frente. Sou uma caminhante, por vezes errante, que já sente os dias passarem com alguma dificuldade e o caminho torna-se mais íngreme, o peso cresce e os ombros ressentem-se. Mas isto é provisório.

Há certas questões sobre a vida que ainda precisam amadurecer, é verdade.

Entretanto, há uma espécie de compreensão mais precisa sobre o que realmente importa nesta trajetória complexa, que exige-me uma certa reflexão e, por sua vez, mais escrita.

As pessoas fazem toda a diferença na vida da gente.

Podemos estar serenos a observar uma paisagem impecável, um mar convidativo, um rio refrescante, uma enseada serena, um recanto de natureza sublime no meio do nada de algum lugar qualquer.
Entretanto, se não tivermos alguém especial ao nosso lado, será que a paisagem terá o mesmo sentido?
Os países, as políticas, as economias, as culturas e as pessoas. São as pessoas que fazem tudo acontecer, ou deixar de...
Somos indíviduos inseridos na coletividade. O que faz-nos crer que precisamos pensar apenas em nós próprios e nos nossos? Que ilusão é esta de que não precisamos uns dos outros?
Essa massa que segue o destino triste do capitalismo e da economia dos mercados, sem nenhuma reflexão. Para onde caminhamos?

Sem regras que definam o papel do Estado ou a sua possível intervenção sobre a economia, para salvaguardar os interesses dos cidadãos e diminuir a diferença social, será que há algum futuro para este cenário? A crise já mostrou sua face negra na Europa. Mas parece que o carma deste Velho Mundo é muito pesado.

Quem diria a Europa não ser mais o que era? Não é mais estável? Cada vez observa-se uma diferença social maior entre as pessoas e que está a aumentar nos países pobres do Sul. Há pessoas mais ricas e pessoas mais pobres nos países do sul e uma classe média meio perdida. A Europa avança para a Direita, deixa pra trás a Democracia Social...imbecilizando-se cada vez mais.

Qual será o próximo modelo de Ipad? E o telemóvel (celular) com mais funcionalidades? Já comprei meu Mac novo? Já fizeram as vossas compras do Natal? Quem será o eliminado do Ídolos? E o Sócrates aguenta mais esta?

E o nossos filhos?

Eu sei o que me interessa. As pessoas. As pessoas que gosto, admiro, respeito e amo, sobretudo. Tenho uma pessoa que amo e respeito muito ao meu lado e que espero continuar a partilhar a minha vida, mas ele estará do meu lado seja para onde for.

As pessoas que eu mais amo estão no Brasil. A minha família. E é pra lá que eu vou.

Eu tomo as minhas decisões racionalmente, mas é o coração que dá o veredito final. O emprego está no Brasil, as oportunidades também. O que prende-me ao velho mundo são aos aprendizados, as viagens e as experiências. Mas estas poderão continuar a existir em doses homeopáticas.

Este blog tem dias contados porque logo poderei escrever-vos sob outra perspectiva, viverei outras aventuras, com novos aprendizados, é claro.

Os momentos difíceis e as tristezas fazem parte da vida, mas existe um tempo para tudo. Um em especial para observar os ciclos de vida e encará-los com naturalidade.

Eu sinto-me grata e feliz por ter a compreensão do quanto a vida é maravilhosa e transitória. Simplesmente por existir e poder escrever-vos já é mágico.

Podemos aprender uns com os outros, eu ainda acredito nisto. E por isso persisto com o meu jeito de ser, trilhando o meu caminho, seja ele como for...enquanto este universo me permitir...com a crença arraigada nas pessoas, na amizade, no amor, como base para todo o resto.
Sou ingênua? Talvez. Mas o que eu ganho está guardado dentro de mim e daqueles que me amam, por apostar nas pessoas e nas relações verdadeiras que cultivo sempre.